Pequeno Manual Antirracista

  • Obra: Pequeno Manual Antirracista
  • Autor: Djamila Ribeiro
  • Editora: Companhia das Letras
  • Ano da Publicação: 2019
  • Páginas: 136
  • ISBN: 978-85-359-3287-4

Sinopse

Neste pequeno manual, a filósofa e ativista Djamila Ribeiro trata de temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Em onze capítulos curtos e contundentes, a autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles que queiram aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas. Já há muitos anos se solidifica a percepção de que o racismo está arraigado em nossa sociedade, criando desigualdades e abismos sociais: trata-se de um sistema de opressão que nega direitos, e não um simples ato de vontade de um sujeito. Reconhecer as raízes e o impacto do racismo pode ser paralisante. Afinal, como enfrentar um monstro desse tamanho? Djamila Ribeiro argumenta que a prática antirracista é urgente e se dá nas atitudes mais cotidianas. E mais ainda: é uma luta de todas e todos.

“Ser a diferente – o que quer dizer não ser branca – passou a ser apontado como defeito. Comecei a ter questões de autoestima, fiquei mais introspectiva e cabisbaixa. Fui forçada a entender o que era racismo e a querer me adaptar para passar despercebida. Como diz a pesquisadora Joice Berth: Não me descobri negra, fui acusada de sê-la”.

Resenha

Saudações, caro leitor! Tudo bem?

Considero-me, desde que me conheço por gente, uma pessoa empática, a qual deveras se preocupa com os sentimentos de seus semelhantes. Contudo, passei a me questionar acerca desta faculdade quanto aos hábitos de leitura. Será que estou escutando vozes que ecoam de todas as bocas? Se lhe escrevo agora é porque a resposta era não.

Tais interrogações se iniciaram concomitantemente ao meu retorno como profissional da área, já faz quase dois anos. Nesta época, voltei a escrever e acompanhar o universo das letras. E então a conheci: Djamila Ribeiro. Uma jovem mulher negro-brasileira que inspira com suas palavras e atos, nos faz ter orgulho de nossas origens e nacionalidade, mas também nos põe à prova de nós mesmos com suas provocações.

Caminhando pelos pavilhões da 65ª Feira do Livro de Porto Alegre, após assistir às palestras do curso de pós-graduação da UERGS, vislumbrei ao longe aquele singelo livro amarelo. Ele parecia me chamar de onde estava, então ouvi o seu chamado. Adquiri o meu pequeno manual e rumei à casa, sentindo-me afortunada.

Em função da rotina frenética, a obra foi sorvida em pequenas doses diárias. A leitura muito bem poderia ser aquelas de ‘uma sentada’, não são muitas páginas, porém pela quantidade de informações nela contidas, prescrevo a serenidade que ela merece. O manual é composto dos capítulos: Informe-se sobre o racismo, Enxergue a negritude, Reconheça os privilégios da branquitude, Perceba o racismo internalizado em você, Apoie políticas educacionais afirmativas, Transforme seu ambiente de trabalho, Leia autores negros, Questione a cultura que você consome, Conheça seus desejos e afetos, Combata e violência racial e Sejamos todos antirracistas.

Iniciamos ao nos deparar com conceitos que para muitos são novos, uma breve abordagem histórica que nos apresenta a diferença entre escravidão e escravização. Passamos por fortes inquirições, tais quais o sofrimento das crianças negras quando são julgadas por sua cor e os privilégios que as brancas têm, sem nem mesmo saber ou se questionar. Tomamos consciência de que o racismo vive em nós e de que precisamos agir para reduzi-lo, seja no apoio às ações sociais, na cobrança de um ambiente de trabalho com diversidade ou no consumo de cultura negra. Por fim, e não menos importante, enxergamos que devemos e precisamos atuar de forma incessante para coibir todo e qualquer tipo de violência racial: sejamos todos antirracistas.

A autora enriquece ainda mais o texto com embasamento em extensa bibliografia de renomados autores, em sua maioria negros. Uma costura muito bem feita, mas que também machuca quando sentimos a agulha adentrando nossa carne. Como podemos nos calar diante aos conceitos de escravização e racismo estrutural? Como não tomar uma atitude quando presenciamos cenas esdrúxulas de discriminação racial? Como conceber a destruição de sonhos e fé própria ao permitirmos as piadas que não têm graça nenhuma?

A elucubração é intrínseca, deste modo, o ato de ler o Pequeno Manual Antirracista provocará em cada um reflexões inerentes. Acredito que o livro deve ser considerado didático, portanto temos de trabalhá-lo como leitura obrigatória nas escolas de todo o nosso Brasil. E quiçá me arrisco a dizer: de todo o nosso mundo.

Se tu leste até aqui, não te restam dúvidas: obra mais do que necessária e recomendada!

“Perceber-se criticamente implica uma série de desafios para quem passa a vida sem questionar o sistema de opressão racial. A capacidade desse sistema de passar despercebido, mesmo estando em todos os lugares, é intrínseca a ele. Acordar para os privilégios que certos grupos sociais têm e praticar pequenos exercícios de percepção pode transformar situações de violência que antes do processo de conscientização não seriam questionadas”.

Djamila Ribeiro nasceu em Santos, em 1980. Mestre em filosofia política pela Unifesp e colunista do jornal Folha de S. Paulo, foi secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo. Coordena a coleção Feminismos Plurais, da editora Pólen, e é autora de O que é lugar de fala (2017), Quem tem medo do feminismo negro? (2018) e Pequeno Manual Antirracista (2019).

Um comentário em “Pequeno Manual Antirracista

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  1. Aí, amiga! Parece que tem livros que nos atraem e nos convida embarcar em suas páginas, né? Acho que foi essa sensação que sentiu quando viu o livro! E que resenha incrível, é bom demais ver um post tão bem escrito e tão rico em palavras e sentimentos. Já estou doidinha para lê-lo, você como sempre cativa com suas palavras fortes e repletas de sentimentos que é impossível não parar para entender essa intensidade!! Fiquei feliz em saber que a autora cita outros autores renomados. Parece ser uma leitura forte, mas extremamente necessária. Estou curiosa a respeito desse enredo. Acredito que seja uma obra enriquecedora! Obrigada pela dica.

    Bjs. @girafinhaliteraria

    Curtido por 1 pessoa

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